O que aprendemos com David Bowie

O que aprendemos com David Bowie

Vou copiar o meu parceiro e irmão, Ock-Tock, que escreveu esse post sobre “o que aprendemos com Lemmy” e falar sobre a lição de vida que David Robert Jones deixou pra gente.

Alguns o chamam de camaleão, eu me incluo nesse grupo, outros de gênio, outros de alienígena e de tantas outras formas. Mas no fim, a única coisa que Bowie fez na vida foi não tentar ser tudo isso, pra ele – ao que tudo parece – bastava experimentar e com isso nos ensinou o real significado da palavra criatividade.

É reconhecer suas referências

A base de David Bowie era o Rock e foi com uma carta para um produtor, citando Beatles, que ele consegue alguém para cuidar de sua carreira, isso era no início dos 60. E como todos que estavam ali fazendo música, eles bebiam das fontes americanas do Blues, do Jazz e do novíssimo – não tinha nem dez anos – Rock n’ Roll. Esse é o berço do cara.

É, acima de tudo, ter coragem.

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Bowie nunca teve medo de errar, ele fazia. Com cuidado, zelo e capricho, mas fazia. Não deu certo no primeiro álbum, pensou em como mudar e criou a “Space Oddity”, que foi o embrião para o primeiro grande personagem: Ziggy Stardust. Depois foi Aladdin Sane (eu sei que é um álbum, mas pode ser interpretado como outra faceta do próprio Ziggy), Thin White Duke e sua parte em Tim Machine.

Ele experimentou e se arriscou na moda, inventou roupas e figurinos. Pensou seus shows além da música e criou sua assinatura, as metamorfoses que forjaram seu apelido.

Também foi além nas artes, meteu as caras no cinema e não fez feio. Ou seja, estava disponível para fugir da zona de conforto a todo momento, sem pestanejar.

É saber mixar (muito dito hoje em dia).

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Beleza, a referência dele era o Rock, mas isso foi a base. Em cima disso ele foi além, misturou outros estilos e outros artistas. Trabalhou com Tina Turner, Mick Jagger, Iggy Pop, Lou Reed, Queen, Annie Lennox e tantos outros. Esteve presente e foi somando, sempre atrás de fazer algo diferente.

É estar aberto ao novo.

Mesmo depois de ter alcançado a posição de ídolo, superstar, megastar ou qualquer pódio que queira colocá-lo, ele nunca encarou os outros como algo menor e manteve sua mente aberta e seus olhos e ouvidos atentos. Reconheceu novos artistas com grande talento, como Pet Shop Boys e Arcade Fire.

Pra fechar essa questão de estar aberto ao novo, ele encontrou a banda que tocou em seu último disco (Blackstar) em um jazz club de Nova Iorque (55 Bar). Sem nunca ter visto nada deles, apenas a indicação de um amigo foi o suficiente.

E por fim, aceitar os fatos.

David Bowie at the Berlin Wall, 1987

Sem abrir para o público, David Bowie lutou contra o câncer por 18 meses. Durante esse período, em determinado momento, ele iniciou o processo de Blackstar, o qual é claramente um álbum de encerramento. Praticamente um álbum póstumo em vida. O clipe de Lazarus é a prova que ele sabia que seu fim estava chegando e ele não poderia fazer nada para mudar isso.

Ele aceitou e terminou sua obra no dia oito, para poder fazer sua última viagem na noite de dez de janeiro de 2016. Nos deixando com saudades e tristeza, mas uma história de 27 discos de estúdio, nove ao vivo, mais de trinta participações em filmes e um mundo de influências ainda não exploradas. Ou seja, pegue tudo isso e FAÇA!
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Veja tudo que a gente já falou sobre o Bowie – tem coisa pra caramba!